PROGRAMAÇÃO

Curso “A democracia pode ser assim: história, formas e possibilidades”

Mediação de Paula Almeida e Daniela Mussi

Em quatro aulas, Marilena Chaui, Antonio Carlos Mazzeo, Virgínia Fontes e Luis Felipe Miguel abordam de forma didática as origens do conceito de democracia a partir de diferentes perspectivas. Indo além, ao relacioná-lo com questões históricas, sociais e com formas de organização política, o curso visa apresentar uma abordagem inicial que permitirá balizar as reflexões e discussões da programação de debates e oferecer ferramentas de interpretação e intervenção social. 

15/OUT | TERÇA

12h – 14 | Aula 1 | História da democracia
Com Marilena Chaui

A filósofa Marilena Chaui explicita como o nascimento da política na Grécia dá origem à democracia, conceito que desaparece no decorrer da história ocidental até ressurgir como democracia liberal (no século XIX) e como democracia social (no século XX). Neste amplo panorama da democracia ao longo da história mundial, serão ainda abordadas as diferenças entre essas duas formas democráticas e sua destruição pelo neoliberalismo.

16/OUT | QUARTA

10h – 12h | Aula 2 | História da democracia na América Latina
Com Antonio Carlos Mazzeo

Na segunda aula do curso, Antonio Carlos Mazzeo aborda a história da democracia sob o contexto latinoamericano. O encontro pretende elaborar um abrangente balanço das experiências políticas na região. Mazzeo é autor de Os Portões do Éden: Igualitarismo, Política e Estado Nas Origens do Pensamento Moderno (Boitempo, 2019).

17/OUT | QUINTA

10h – 12h | Aula 3 | Democracia e revolução
Com Virgínia Fontes

Nesta aula, a historiadora Virgínia Fontes parte da contextualização das definições de democracia a fim de apreendê-la como processo de reivindicações e de lutas sociais para assegurar igualdade e liberdade. A exposição passa ainda pela conquista da emancipação política e pela crescente contenção do teor democrático nos países capitalistas. Assim, expõe as múltiplas faces e escalas das revoluções (política, econômica, social, cultural).

18/OUT | SEXTA

10h – 12h | Aula 4 | Formas de organização política: partidos, sindicatos, movimentos sociais
Com Luis Felipe Miguel

Na aula de encerramento do curso, o cientista social Luis Felipe Miguel discute as múltiplas formas de organização política e seu papel na construção dos sentidos atuais de democracia. Além disso, explora a maneira como partidos políticos, sindicatos e movimentos sociais organizados se posicionam entre si e perante as instituições em processos movidos por contradições.


Ciclo de debates

15/OUT | TERÇA

17h – TRABALHO E OS LIMITES DA DEMOCRACIA NO BRASIL
Debate com Vladimir Safatle, Ricardo Antunes e Laura Carvalho. Mediação de Bianca Pyl (Le Monde Diplomatique)

O debate busca traçar paralelos entre as mudanças nas relações trabalhistas e nas políticas públicas a elas relacionadas para entender origens, processos e recepção popular da crise da democracia no Brasil. Como é possível consolidarmos uma democracia longeva com a vigência de trabalhos instáveis, intermitentes, desprovidos de direitos  e de proteção social, como tem sido mais a regra do que a exceção em nosso mundo contemporâneo e particularmente no Brasil?

20h – MULHERES E CAÇA ÀS BRUXAS 
Palestra de Silvia Federici, comentários de Bianca Santana. Mediação de Eliane Dias

A renomada filósofa ítalo-estadunidense Silvia Federici, professora emérita da Universidade Hofstra em Nova York, aborda a forma como a marginalização das mulheres, o aumento da violência por motivação de gênero e o acirramento da misoginia se confundem com e servem às próprias origens do capitalismo. Ao atacar os laços e relações entre mulheres, a caça às bruxas permite a contenção da resistência, tenta naturalizar a exploração e traz consequências que serão aqui abordadas. Durante o seminário, Federici lança, pela Boitempo, seu livro mais recente: Mulheres e caça às bruxas.


16/OUT | QUARTA 

14h – FAMÍLIA, RELIGIÃO E POLÍTICA
Debate com Amanda Palha, Pastor Henrique Vieira e Flávia Biroli. Mediação de Andrea Dip (Agência Pública)

Para melhor entender as relações entre a política, a família e a religião, que tanto têm pautado as decisões políticas e pessoais da sociedade brasileira nos últimos tempos, a mesa reúne debatedores de campos e linhas diversas a fim de entender esses modos de organização social  e questionar: quais são as fronteiras entre religião e política? A ideia de família representa uma força formadora da política brasileira?

17h – JUDICIALIZAÇÃO DA POLÍTICA E POLITIZAÇÃO DO JUDICIÁRIO
Debate com Alysson Mascaro, Luiz Eduardo Soares e Thula Pires. Mediação de Amanda Audi (The Intercept Brasil)

A complexa relação entre Estado, Direito e formação social se acirra e se faz cada vez mais presente nos noticiários e nos ideais de país expressos pela sociedade. Como o Judiciário e a política têm se relacionado historicamente? De que maneira o sistema judiciário tem tratado cidadãos de classes sociais, gêneros e etnias distintas em nossa sociedade? Que rumos a situação pode tomar diante da crise das instituições? E quais as consequências, para a democracia, da judicialização da política e da politização do Judiciário? Essas e outras questões estarão em pauta ao longo do debate.

20h – FEMINISMO NEGRO E A POLÍTICA DO EMPODERAMENTO 
Palestra de Patricia Hill Collins, comentários de Raquel Barreto. Mediação de Winnie Bueno

Uma das mais consagradas e importantes estudiosas nos campos de gênero e raça, Patricia Hill Collins busca contemplar tradições teóricas diversas e seu importante papel na formação do feminismo negro nos EUA para, a partir do legado de luta das mulheres negras norte-americanas, formar pontes com o que há de comum entre nossos contextos e elaborar maneiras de responder coletivamente às injustiças sociais.  A notoriedade de Patricia Hill Collins no contexto norte-americano se deu a partir do seu livro Pensamento feminista negro, publicado originalmente em 1990 e lançado pela primeira vez no Brasil em 2019 pela Boitempo.


17/OUT | QUINTA

14h – COMUNICAÇÃO E HEGEMONIA CULTURAL
Debate com Ferréz, Christian Dunker e Esther Solano. Mediação de Claudia Motta (Rede Brasil Atual)

Construir formas de comunicação com todas as esferas da população, ou “falar a língua do povo”, na linguagem popular, se coloca hoje como um dos grandes desafios ao debate sobre a democracia e à implantação de projetos políticos e sociais. De que maneira poderosas máquinas comunicativas são criadas para fundamentar discursos de intolerância? Como o campo progressista pode se organizar diante desses ataques? O debate tratará também de aprofundar na reflexão a respeito de como, ao fabricar e insuflar sentimentos de ódio, torna-se necessária a criação de novos modelos críticos que dêem conta desse cenário.

17h – POR UMA ECONOMIA PARA OS 99% 
Debate com Leda Paulani, Ludmila Costhek Abílio e Eduardo Moreira. Mediação de Juliana Borges (CartaCapital)

Em meio a um momento histórico de alta concentração de renda e crescente desigualdade em todo o mundo, alguns dos mais renomados pesquisadores de diferentes tradições teóricas debatem a propagação hegemônica da ideologia liberal nas esferas sociais, suas implicações para a atuação do Estado e para a percepção do conceito de democracia, além de formas de superação das desigualdades sociais.

20h – CRISE DA DEMOCRACIA E ANTICAPITALISMO NO SÉCULO XXI
Debate com Michael Löwy, Sabrina Fernandes e Ruy Braga. Mediação de Débora Baldin.

Com um tema tão provocador quanto elucidativo, este debate versará sobre o atual momento de crise global em torno do conceito de democracia e formas radicais de superação das dinâmicas de opressão sistêmica. Se a iniquidade de renda, a desigualdade de oportunidades e a devastação do meio ambiente são centrais no capitalismo, como pensar modelos de organização social e formas de democracia radical? O debate conta com a participação do pensador franco-brasileiro Michael Löwy, um dos maiores nomes da tradição ecossocialista e referência nos estudos das obras de Karl Marx, Leon Trótski, Rosa Luxemburgo, György Lukács, Lucien Goldmann e Walter Benjamin. De modo a aprofundar as discussões aqui apresentadas, a Boitempo lança, durante o seminário, os livros Como ser anticapitalista no século XXI?, de Erik Olin Wright e Marx nas margens: nacionalismo, etnias e sociedades não ocidentais, de Kevin B. Anderson.


18/OUT | SEXTA

14h – EDUCAÇÃO CONTRA A BARBÁRIE
Debate com Jones Manoel, Aniely Silva e Daniel Cara. Mediação de Tory Oliveira (Revista Nova Escola)

São muitos e múltiplos os desafios enfrentados pela educação no cenário atual, do revisionismo ao desmonte da educação pública, passando por esforços de desvalorização do saber científico. Seja nos posicionamentos e rumos adotados pelo Estado, seja nos discursos propagados por parcelas da sociedade, há uma evidente mudança na percepção do conceito da educação como um instrumento libertador. Além de explorar se e como é possível pensar a correlação entre educação e liberdade, o debate aborda maneiras de superação do discurso pautado apenas por indicadores, rankings e eficiência na construção de uma educação efetivamente democrática. Durante o seminário, será lançado pela Boitempo a coletânea Educação contra a barbárie, que conta com a colaboração de alguns dos participantes da mesa.

17h – O QUE RESTA DA DITADURA?
Debate com Maria Rita Kehl, Renan Quinalha e Janaína de Almeida Teles. Mediação de Pedro Venceslau (O Estado de S. Paulo)

O debate propõe uma reflexão sobre a relação mal-resolvida do Brasil com a ditadura militar, o papel das Comissões da Verdade e o esquecimento como produtor de sintomas sociais na atualidade. A partir dos resquícios do período de exceção na organização social do país, a pergunta que dá nome ao encontro norteará a reflexão sobre resistência e o progressivo alcance de discursos de ódio, intolerância e exaltação de um dos piores momentos de nossa história.

20h – JORNALISMO E DEFESA DA DEMOCRACIA 
Debate com Juca Kfouri (CBN/TVT), Marina Amaral (Agência Pública) e Patricia Campos Mello (Folha de S.Paulo). Mediação de Daniela Pinheiro (Revista Época)

Em um cenário político marcado pela polarização e pela propagação acrítica de notícias falsas, o jornalismo tem se mostrado um instrumento democrático essencial ao expor verdades inconvenientes, ideologias veladas e tentativas de manipulação da opinião pública. Neste debate, serão abordados temas como o impacto do jornalismo investigativo como fiscal do Estado, os posicionamentos ideológicos das empresas de mídia – e sua reverberação no noticiário destacado -, bem como a falsa aparência de movimentos orgânicos assumida por campanhas orquestradas para moldar narrativas na manutenção da polarização permanente da população e do diversionismo.


19/OUT | SÁBADO

16h – A LIBERDADE É UMA LUTA CONSTANTE 
Conferência de Angela Davis. Mediação de Adriana Ferreira da Silva (Marie Claire Brasil)

Um dos maiores ícones na luta pelos direitos civis nos Estados Unidos, Angela Davis é considerada por muitos uma das grandes personificações globais da resistência ao racismo. Pela primeira vez em São Paulo, a ativista e professora emérita do departamento de estudos feministas da Universidade da Califórnia compartilhará sua trajetória pessoal e política a fim de refletir de forma crítica sobre as correntes do pensamento feminista hoje, bem como sobre a contribuição da luta de mulheres negras na construção de sociedades mais justas e democráticas. Na ocasião, lança Uma autobiografia pela Boitempo.


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